Thursday, April 02, 2009

Projeto Na Boa Companhia

Na Gávea, Rio de Janeiro, arte e educação caminham juntas


Foto: Márcio e Dado com integrantes do projeto Na Boa Companhia (divulgação)

Márcio Januário e Dado Amaral idealizaram um projeto, colocaram em execução e estão a colher bons frutos, com esforço e dedicação, voltados à arte e educação de alunos e comunidade, entre 15 e 24 anos de idade. Na Boa Companhia nasceu em 2006, durante o curso de teatro do Colégio Estadual André Maurois, na Gávea (Rio de Janeiro).

Convidados por Marília Gil, coordenadora pedagógica do Colégio, para ministrarem um curso de teatro, Dado e Márcio apresentaram uma proposta com o objetivo de “proporcionar ao jovem e adolescente uma formação educacional alternativa à da sala de aula, estimulando a leitura, a pesquisa, a escrita e a criatividade através da discussão de temas atuais e pertinentes ao cotidiano dos alunos”.

De acordo com os autores do projeto, o principal foco é o estímulo ao empreendimento do aluno. “Aqui os alunos são convidados a criar projetos, escrever e participar de concursos, estágios etc. Num momento em que se discute e se repensa a educação no Brasil, constatamos que práticas educacionais extra-curriculares realizadas no espaço escolar, reforçam a criatividade, estimulam a iniciativa, a relação com a cultura e melhoram muito a relação do aluno com a escola. O mesmo se dá em relação ao convívio do jovem com a família e a comunidade onde vive, pois ele passa a atuar como um agente cultural”.

Nesta linha, o grupo de 25 alunos formado em 2006 produziu a peça “Filhos deste solo”, que trata de temas do cotidiano dos jovens como preconceito racial, violência, gravidez na adolescência, marginalidade, entre outros, escolhidos pelos próprios autores, os alunos do grupo.

A peça foi recebida com entusiasmo na escola, tendo os professores sugerido que se publicasse o texto, o que está a ser desenvolvido. O espetáculo foi apresentado também no Colégio Estadual Ignácio Azevedo Amaral. Em 2007, o projeto tomou outras dimensões adotando o formato de companhia de teatro. A partir daí, a companhia segue apresentando-se em diversos espaços, como Gentileza 90 Anos (Rodoviária Novo Rio), Fiocruz (II Mostra de Teatro, Ciência e Cidadania), no SESC Petrópolis, Casa da Paz (Rocinha), em outros colégios e mensalmente no Teatro do Jockey.

Hoje são 50 alunos, entre 15 e 24 anos, vindos de várias comunidades próximas à escola, ou nem tanto, como a Rocinha, Vidigal, Cruzada, Cantagalo, Cidade de Deus, Rio das Pedras, Taquara, Vargem Grande, Freguesia, Gardênia Azul, Jacarepaguá, Copacabana, Leblon, Humaitá e Campo Grande. Nesta vertente, a companhia trabalha a integração com a meta de se apresentar em cada comunidade, “para melhorar a auto-estima do aluno e para que os integrantes do grupo conheçam as comunidades uns dos outros”.

Alguns dos ex-alunos estão a participar do projeto como monitores e há os que estão ligados à fundação da companhia, que também prevê a implantação de um cineclube, com debates após as sessões, a ser iniciado no segundo semestre deste ano.

Ainda por desenvolver está um centro cultural e biblioteca no colégio, para retomar sua tradição cultural e estimular os alunos a terem outra relação com a escola, unindo prazer e entretenimento aos estudos e à reflexão, proporcionando atividades que os mantenham por mais tempo no espaço do colégio. O projeto já recebeu alguns livros e espera que a futura biblioteca fique operacional em tempo integral.

Após participarem da primeira edição do projeto, alguns ex-alunos já se destacam em outros cenários. Quatro passaram no teste para integrarem-se a outras companhias, alguns estão a trabalhar na parte técnica do teatro, quatro já trabalharam como monitores na Academia Brasileira de Letras, durante a exposição sobre Machado de Assis, três tiveram destaque em projetos de micro-empresa, dois foram premiados em um projeto da PUC de Diplomacia, vários estão a trabalhar em atividades culturais da escola e no Grêmio-Rádio-Jornal. Outro importante feedback do projeto foi a premiação do grupo no concurso da escola alemã, sobre Direitos Humanos.

Na consolidação desta iniciativa estão novos apoios incorporados como bolsas de estudo, com material didático, para curso de inglês do Brasas English Course, aulas semanais de canto com Ananda Kavan e Lila Shakt, oficina de fotografia com Nico Oved, aulas de capoeira, pintura em tecido, artes plásticas, danças brasileiras, meditação, Yoga, cabeleireiro com profissionais do salão Fast Hair, maquiagem, manicure, coordenados por voluntários, e ainda a realização de um festival de música.

Uma boa novidade para este 2009 também é a produção de um programa para a TV Comunitária do Vidigal e da Rocinha, TV VDG e TV ROC. O formato já está esboçado pelos alunos. De acordo com Dado e Márcio, sempre é possível levar os alunos para uma conversa-entrevista ao final de espetáculos que o grupo é levado a assistir em outros locais, reunindo algumas gravações que poderão ser editadas brevemente e inseridas no programa.

Já em Março os alunos colheram entrevistas com funcionários e alunos da escola, além de pessoas da comunidade e de moradores mais antigos do bairro. “Toda a ideia e formatação ficam por conta dos alunos. Nós orientamos e co-dirigimos quando necessário”, destacam os autores do projeto.

No momento, as dificuldades de execução do programa se apresentam pela falta de equipamentos próprios para filmagem e edição, mas há todo um esforço em conjunto para vencer estes obstáculos. De acordo com Márcio e Dado o projeto está amparado pela Lei Rouanet para captação de apoios e pretende ampliar sua atuação. “É possível melhorar nossa cidade, nosso país e nosso planeta”, reforça Márcio Januário.

Recentemente os alunos criaram um blog que pode ser acompanhado no endereço: Na boa cia

Breve perfil dos autores:

Dado Amaral

Dado Amaral é graduado em Jornalismo e Mestre em Literatura pela PUC-Rio. Estudou teatro no Tablado(1986-90) e em oficinas com Antônio Nóbrega, Ariane Mnouchkine, Hamilton Vaz Pereira, Denis Carvalho, Luiz Carlos Vasconcelos e outros. Atuou em várias peças teatrais, entre elas O Ateneu (1987), O Jovem Törless, (CCBB, 1996) e A Farsa (CCBB, 2005), na qual foi diretor assistente. Foi assistente de Hamilton Vaz Pereira nas peças Notícias Silenciosas (1991) e 5 Vezes Comédia (1994). Atuou nos filmes Como ser solteiro (Rosane Svartman, 1996) e Conceição (2007), e nas novelas De Corpo e Alma e Páginas da Vida (TV Globo). Apresentou o programa Que papo é esse?, no Canal Futura, sobre questões cotidianas de adolescentes.Realizou nove filmes, entre eles Porr Gentileza (2002) – prêmio Riofilme – e O Rio Severino (2005) – prêmio Edital MinC de Curtas. Foi um dos criadores do BOATO, grupo que por 10 anos realizou performances, filmes, shows e o CD Abracadabra (1998). Desde 1998 trabalha no grupo Nós do Morro, como diretor musical de espetáculos e como professor de música e teatro. Montou com seus alunos os espetáculos Noites do Vidigal (2005), Vozes do Mundaréu (2006) e Auto da Compadecida (2007-08). É integrante do movimento “Rio com Gentileza”, que realiza eventos e projetos inspirados nas mensagens e na obra do Profeta Gentileza. Colaborou por um ano com o projeto Favela no Ar, ministrando oficinas de teatro dentro do programa Escola Aberta, na E. M. Almirante Tamandaré, no Vidigal.

Márcio Januário

Márcio Januário começou como bailarino no espetáculo "Quadros de Dança" (1983), com o grupo "Nós da Dança", direção de Regina Sauer no Teatro Villa-Lobos. Trabalhou como bailarino, coreógrafo e cantor em várias companhias, musicais, desfiles e televisão. Entre eles, "Theatro Musical Brasileiro", Teatro João Caetano, "O conquistador", Teatro Villa-lobos, "Espelhos Velados", CCBB, "Anticorpos do planeta", TV Búzios. Com sua banda "Seu Januário e todos os santos" fez shows em casas noturnas no Rio e em Nice (França). Coreografou "Bafafá” de Goldoni, no Paço Imperial (1987), "Esse cara não existe", de Evandro Mesquita, Teatro Leblon (2003). "A Farsa", Caco Coelho, CCBB (2005), "Fama Zero", Teatro Cândido Mendes (2006), e "Noites do Vidigal", que co-dirigiu com Dado Amaral no Nós do Morro (2006). É coreógrafo do grupo circense Irmãos Brothers há 7 anos. Em 2006, o monólogo "Tratado do Vão Combate", de sua autoria, foi selecionado para a "V Mostra de Teatro de Petrópolis". De 2002 a 2004 desenvolveu, com o diretor David Johnson, o projeto "Santa Marta and Drama Project", criando uma conexão entre os alunos da Ponsa (Pequena Obra Nossa Senhora Auxiliadora) do morro Dona Marta e os alunos da British School de Botafogo. Lecionou por dois anos no grupo Nós do Morro, no Vidigal. Participou do projeto “Favela do No Ar”, apresentando um programa na rádio comunitária do Vidigal, e ministrando oficinas de dança e teatro para as crianças da comunidade na Escola Municipal Almirante Tamandaré, em 2005/2006.

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3 Comments:

Blogger Na Boa Companhia said...

QUE LEGAL!!!!
ADOREI!!!!
BEIJÃO
MARCIO JANUARIO

8:44 AM  
Blogger dado said...

Olá Mônica,

excelente a reportagem, muito agradecido!
E gostaria muito de ver as fotos que fizeste no lançamento do meu livro.
Um beijo grande, até mais!

10:57 AM  
Blogger Sara L.Miranda said...

E só por essa razão vale a pensa gostar.

Um beijão adorei o blog!

3:17 AM  

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